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Saúde e Desenvolvimento Humano

A hiperglicemia (aumento do açúcar no sangue) é um componente da síndrome metabólica e um conhecido fator de risco cardiovascular. Geralmente alterações no metabolismo da glicose e da insulina precedem o diabetes mellitus tipo 2 (DM2). O pré-diabetes é a condição na qual os valores glicêmicos estão acima dos valores de referência normais, mas ainda abaixo dos valores para o diagnóstico de diabetes mellitus.

O que é pré-diabetes?

É a fase que antecede o diagnóstico do DM2. Geralmente essa fase é assintomática e por isso as pessoas acham que não existe riscos. Contudo a manutenção deste quadro invariavelmente vai levar a a doença diabetes mellitus.

Alguns profissionais dizem ser apenas uma fase de risco e não um diagnóstico de uma doença. Minha opinião pessoal é que se trata de um diagnóstico sim. Inclusive com aumento do risco cardiovascular e da mortalidade.  Nesta fase a resistência à insulina já está presente e se não combatida ela evolui para a doença propriamente dita. Também a “glicemia de jejum alterada” e “tolerância à glicose diminuída” fazem parte desta fase. Sendo que pode haver apenas resistência insulínica isolada e glicemia normal. Ou ainda a associação de resistência insulínica e glicemia de jejum alterada ou tolerância à glicose diminuída.

A Associação Americana de Diabetes (ADA) já há algum tempo orienta a utilização da  hemoglobina glicada (HbA1c) como método diagnóstico tanto do DM2 como do pré-diabetes. Porém nesta fase a insulina de jejum e o índice HOMA refletem o quadro muito mais precocemente. Sendo assim para o diagnóstico deverão ser usados alguns exames laboratoriais como glicemia de jejum, insulina de jejum, HbA1C e calcular o índice HOMA. Além de lógico examinar e observar o paciente. Pois um paciente com aumento da circunferência abdominal não precisa de exames para sabermos que ele já tem resistência insulínica. Portanto está em pré-diabetes. 

Início silencioso

Aproximadamente 60 a 80% das pessoas que desenvolvem diabetes, passam pelo estágio de pré-diabetes 5 anos antes do início da doença. A questão é que neste estágio da fisiopatologia raramente temos sintomas. E a doença instala-se silenciosamente. Contudo para olhos treinados e profissionais atentos os sinais são evidentes. A consulta deve começar assim que o paciente entra no consultório. Já fiz muito diagnóstico de pré-diabetes em pacientes que foram ao consultório por uma dor no joelho. Apenas por estar atento, por exemplo às características físicas de acúmulo de gordura em locais específicos.

Mas por esta fase ser assintomática, o diagnóstico deve ser feito com base em exames laboratoriais. Não é apenas pedir glicemia de jejum, mas sim todo o perfil metabólico. Principalmente aquele relacionado ao metabolismo da glicose além de calcular o HOMA-IR. Assim avaliações frequentes do perfil metabólico pode antecipar a possibilidade de desenvolver DM2.

O pré-diabetes já é considerada doença e deve ser tratada como tal. Pois este estágio é potencialmente reversível com mudanças no estilo de vida, evitando-se assim evolução para DM2. Esperar a doença se instalar para instituir o tratamento adequando pode ser um caminho sem volta. O DM2 tem uma patogênese progressiva, começando com a resistência à insulina e avançando para a falência das células beta e produzir insulina. Neste ponto você será dependente de insulina exógena.

Revertendo o Pré-Diabetes

O principal tratamento é a dieta. E como adjuvantes usamos exercícios físicos, aeróbicos e resistidos (com peso). Podendo ainda usar alguns medicamentos específicos para esta fase. Entretanto a dieta é a pedra fundamental do tratamento e reversão deste estágio.

Eu particularmente utilizo muito a estratégia low carb, e tenho a convicção que é a chance de cura nestes estágios iniciais. Vejo que muitas pessoas confundem o que é uma estratégia low carb. Ficam também com muito medo de ter hipoglicemia com low carb. Dessa forma deixam de fazer o que realmente reverteria essa fase além de melhorar outros distúrbios metabólicos associados como a obesidade. 

Lembrem-se que é “low carb” e não “no carb”.

Samy Zenun
Autor

Olá, sou o Samy Zenun, médico, especialista em pessoas. Hoje tenho como missão ajudar as pessoas a melhorarem sua saúde e qualidade de vida. Acredito que com pequenas mudanças de hábito e atitudes, todas as pessoas podem melhorar sua saúde física e emocional. Deixe seu comentário e inscreva seu melhor e-mail para receber dicas sobre medicina, saúde, desenvolvimento humano, ciência e espiritualidade.

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